BIBLIOTECA SOLIDÁRIA NOS PRESÍDIOS. É POSSÍVEL???

Algumas cinco pessoas já me fizeram uma determinada pergunta. Então, antes de começar meu texto e falar dos meus projetos literários, preciso informar. Eu NÃO sou filiada a nenhum partido político e, TAMPOUCO, tenho vontade de pleitear uma vaga no Legislativo. NÃO MESMO! Acho que podemos fazer política, por meio de projetos que nos representem e que acreditamos.

Agora vamos ao que interessa. A ideia da biblioteca solidária começou tão pequenina (na verdade ainda continua) e o intuito sempre foi levar literatura para quem quisesse ler. Sempre foi apartidário e democrático, respeitando gostos, credos e religiões.

É claro que, como em todo projeto, não são todas as pessoas que acreditam (o que não há problema algum) e há as que soltam suas pérolas, recheadas de malevolência. (Neste caso, só me resta virar o olho mesmo).
Normalmente, meus projetos surgem em sonhos. Acho que é Deus tendo um dedinho de prosa comigo… e, no ano passado, comecei a pensar como levar literatura para pessoas que estão às margens da sociedade, como os presidiários, que não têm acesso algum à cultura, literatura e poesia. Como alguém consegue viver sem arte? Não sei. Enfim, cismei que montaria uma minibiblioteca itinerante nos presídios que ainda não tivessem biblioteca.

Consegui o contato com a Secretaria de Administração Prisional, e conversei com a supergentil e superprofissional, Beatriz, que me passou as unidades prisionais que não possuem biblioteca. Ela, tão empolgada quanto eu, me ajudou no contato com os responsáveis por essas unidades. Uns receptivos, outros nem tanto…. mas a boa notícia é que já temos a primeira unidade a ser contemplada com a biblioteca solidária. Trata-se do Ceresp (Centro de Remanejamento do Sistema Prisional) de Betim, graças ao entendimento, profissionalismo e sensibilidade do Diretor de Humanização deste Centro, Paulo Henrique Prado e à Assistente Social Suellen Cássia Marcelina de Paulo. Esses livros (de Machado de Assis, Clarice Lispector, gibis, Augusto Cury, poesias, romances, bíblia, O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, e muito outros, eu devo aos meus colegas e familiares que acreditaram e, gentilmente, doaram este acervo.

Na última sexta-feira, 31/01/2020, eu e meu grande amigo, Maurílio, ou Maurilex, qse irmão pra topar umas coisas dessas, fomos ao Ceresp e entregamos o livreiro com as dezenas de livros que selecionamos. Pela carinha na foto, estamos transbordando esperança.
POR QUE LIVROS NOS PRESÍDIOS???
Os números que se referem à reincidência dos presos são muito altos, atingindo cerca de 70%, segundo o Supremo Tribunal Federal/2011. Ou seja, o sistema está falhando, esses presos e até nós (“considerados gente do bem”) corremos risco. Comecei a me questionar. O que temos feito para mudar essa realidade e para que eles possam se ressocializar? (Não vou entrar no mérito dos psicopatas, porque esses são um caso à parte). Entra governo e sai governo, as mudanças não são lá grandes coisas. Pesquisei, então, o que os presídios considerados referência no mundo têm feito. Como é sabido, nenhuma novidade: lugar decente respeitando o nº x de celas, política social, trabalharem para ganhar seu próprio sustento, acesso à escola, cursos, contato com os animais (isso mesmo), prática de esporte, mais comunicação com as famílias, acesso aos livros e poesias (esse último por minha conta. rsrsrs).

Esses presidiários precisam ocupar a mente com algo que os façam sentir melhores.
Assim, diminuirão, consideravelmente, as revoltas e rebeliões. Vamos conseguir mudar todos?

Infelizmente, não. Mas quem sabe alguns, a gente não consegue plantar a sementinha do perdão, do arrependimento e do amor? Livros e poesias neles!!! Se bem não fizerem, mal também não “os” ou “nos” atingirão.

Por livrolandiacontagem

Mineira de Belo Horizonte, a jornalista e escritora Paula Emmanuella Fernandes sempre procurou agregar suas atividades e conhecimentos em ações transformadoras da realidade social. A antiga paixão pelas artes cênicas foi concretizada com a formação no Canadá e, no Brasil, em trabalhos de monitoria com crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.

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