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THE WALKING LIBRARY- Já ouviu falar?

Recentemente, eu vi no instagram da professora @profa.isabelleanchieta uma
fotografia que me chamou muitíssima atenção, por razões óbvias: uma biblioteca ambulante, em Londres, na década de 1930. A curiosidade veio por ser uma mulher (época em que o machismo reinava), carregando esses livros e a maneira como os carregava. Indo mais a fundo, a imagem vinha com a seguinte legenda: “THE WALKING BIBLIOTECA: Londres, Inglaterra – Os críticos estão sempre comentando que nós, neste país, estamos muito atrás dos países europeus quando se trata de pegar livros emprestados em bibliotecas. Bem, essa garota empreendedora em Rumsgate resolve o problema levando seus livros em uma prateleira amarrada às costas pelas ruas e, de porta em porta, as pessoas podem pegá-los emprestados por uma semana ao preço de dois pence”.

Antes da legenda, eu me questionei tantas coisas: o peso desses livros, o que a levou fazer esse gesto, se alguém a “obrigou a fazer isso” e a satisfação que ela deve ter sentido em promover a leitura. Eu tb me perguntei se eu teria coragem de fazer isso (acho que não, porque não tenho resistência com peso. rsrsrs)

O fato é que esta imagem me remeteu ao espírito de uma Biblioteca Solidária, que independentemente de ser grande ou pequena, o essencial é o livro poder circular, proporcionar que as pessoas leem aquilo que as interessam e assim vão abrindo horizontes e, quem sabe, sonhos e possibilidades?

Fonte: https://www.smithsonianmag.com/smart-news/a-brief-history-of-taking-books-along-for-the-ride-180959116/

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Mesmo com a pandemia, presídios são contemplados por meio da Biblioteca Solidária

No início do ano, lancei o Projeto “Biblioteca Solidária”, com o intuito de levar livros para várias instituições, sejam elas, hospitais, creches, casas de recuperação, Centros Prisionais etc. Com a divulgação do Jornal Super, redes sociais e campanhas da Igreja Católica, na pessoa do querido Padre Ferreira, tudo estava indo muito bem. Recolhemos milhares de livros de diferentes autores, estilos e assuntos. Dava para agradar a gregos e troianos.

Até que um tal vírus, nada bendito, resolveu aparecer pelo Brasil bagunçando tudo. O projeto precisou ser suspendido, devido à segurança de quem doa e de quem recebe os livros. O interessante é que eu continuo recebendo muitos emails de pessoas querendo doar os livros para a Biblioteca Solidária. Mas um anjo da guarda, a Bia (que trabalha na Superintendência de Humanização do Atendimento da SEJUSP) e que também adora projetos sociais, me disse que os presídios estavam precisando de muitos livros.

Hoje, ela veio buscar os milhares de livros recolhidos durante o ano e que serão encaminhados para: Presídio de Campo Belo/ Presídio de Manhumirim/ Presídio Alvorada de Montes Claros/ Presídio de Rio Pomba/ Complexo Penitenciário de Ponte Nova. Muito obrigada mesmo a todos que doaram. Os livros estão seguindo seus destinos e, se Deus quiser, mudarão a mentalidade de muitas pessoas.

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Chega de racismo.

Sempre ouço de amigos negros que, como branca, eu jamais poderei imaginar o que eles sentem na pele. De fato, eu fui criada numa bolha repleta de privilégios e que eu só me dei conta depois de mais velha. Enquanto jornalista, já cobri os dois mundos e, como caçadora de histórias e personagens, eu precisei me descontruir, para descobrir uma nova Paula, ´´isenta´´ de preconceitos, mas não se enganem. Certamente, durante esse caminho, já reproduzi algumas falas pejorativas. Infelizmente, nossos ancestrais e livros de História, pelo menos da minha época, eram escravocratas, oligárquicos e excludentes. Aprendemos tudo sob a ótica dos colonizadores e não o contrário. 

Há 6 anos, eu me enveredei por uma jornada como escritora (ainda caminhando a passos lentos). Apesar de a maioria ser livro infantil, queria histórias reais ou, pelo menos, baseadas em fatos, daquelas que as crianças pudessem se identificar. E, assim, todas as minhas personagens infantis nasceram: Beca, Alan, Lili, Mary e, agora, Bia.

Com narrativas e assuntos diferentes (dislexia, síndrome de Down, refugiados da Síria, política para crianças e Covid-19), todos têm algo em comum: falam sobre empatia, respeito,  equidade, inclusão, solidariedade e representatividade.

Hoje, quero falar de dois personagens em específico (Lili e Bia), devido ao desrespeito com as vidas pretas ao longo da história, mas que foram registradas nessa última semana: o racismo. Muitos devem estar se questionando: ´´Nossa, mas uma branquela falando sobre racismo?´´ Respondo, com muita humildade. Vcs têm razão, mas aonde quero chegar?

Os meus livros não falam diretamente sobre racismo, mas trazem duas personagens pretas, que são muito inteligentes, lindas, generosas e que assumem um papel de protagonistas em suas vidas. Almejo que meus leitores mirins possam se identificar com elas e se apenas ´´um´´ ou ´´uma´´  se sentir tocado (a), eu já terei cumprido minha missão.   Além da dívida histórica que temos com nossos irmãos pretos, precisamos ter a esperança de um mundo com mais equidade. Que nenhuma vida seja exterminada e lágrimas de sangue sejam derramadas para que possamos ver o óbvio: toda vida importa!

Que possamos ter a oportunidade de lermos mais os livros de Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Angela Davis, Michelle Obama ou sobre Ruby Bridges, Nelson Mandela, Martin Luther King e Barack Obama (meus ídolos). Elem têm muito a nos ensinar. E como têm!

Agradeço aos meus amigos pretos que, por sinal, são maravilhosos, pelas aulas e conversas sobre racismo. Vcs não têm ideia do quanto me ensinam e do quanto sou grata por tê-los na minha vida: Fred Mendes, Ester Antonieta, Leandro Perché e Rafa Rafael Mansur – que é branco, mas entende como ninguém o racismo), meu abraço sincero e uma vontade imensa de passarmos para as próximas gerações um mundo melhor e cada vez mais diverso.

Estou na luta com vcs. Sempre!!!